quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diário de Viagem - Dia 4


Dia 4: Lima com duas visões distintas

O quarto dia de viagem começou não tão cedo quanto os outros, mas cedo o suficiente para tomar café da manhã (não tão bom quanto o do hotel de Cusco...) com calma antes de rumar para San Isidro. Meu dia de participar do Congresso havia finalmente chegado, e a ansiedade para apresentar meu artigo estava grande. Foi a primeira vez participando de um congresso fora do Brasil, e eu queria saber como ia ser. Como Leo ia passar o dia sozinho passeando por Lima, ele resolveu ir comigo até o hotel do Congresso e de lá fazer uma caminhada por San Isidro. Chegando no hotel, despedimo-nos e cada um seguiu seu caminho. E é aqui que começa a minha visão do Dia 4 em Lima.

O hotel onde o evento aconteceu foi o Swissotel Lima. Hotel cinco estrelas, coisa chique mesmo. Cara de hotel de congresso... Fiz minha identificação, peguei a programação do evento e vi que ainda teria 20 minutos até a próxima sessão que eu iria assistir começar (a minha apresentação era só a tarde). Aproveitei para (tentar) verificar na recepção do evento como deveria proceder para apresentar o artigo de outra pessoa. Explicando: um amigo também tinha aprovado um artigo no evento, mas por conta do trabalho não pôde ir. Acontece às vezes nesses congressos de terceiros apresentarem o artigo no lugar dos autores, quando há alguma eventualidade que impeça o autor de comparecer. Porém na recepção apenas me informaram que eu deveria procurar o responsável pela sessão. O grande problema é que a sessão dele era no mesmo horário que a minha! Mas resolvi relaxar e deixar este assunto para resolver depois do almoço, afinal era meu primeiro congresso internacional e eu queria aproveitar!

Sentei-me no lobby, ansiando encontrar um rosto conhecido. Nada. Aproveitei para dar uma olhada na minha apresentação, para ver se tinha algo a ser ajustado. Nada também. Fiquei folheando o caderno com as informações sobre as sessões, procurando aquelas que me despertariam interesse. 20 minutos depois e algumas sessões interessantes identificadas, fui até a sala indicada no caderno e assisti algumas apresentações bem legais. Conheci uma menina de SP e ficamos “trocando figurinhas”, ela também parecia estar sozinha e procurando um rosto amigo rs.

Sessão terminada, dirigi-me ao lobby onde várias outras pessoas aguardavam a abertura do salão do almoço. Encontrei alguns conhecidos – professores e alunos da instituição onde fiz o mestrado – incluindo uma professora que esteve na minha banca. Por sorte, conversando com ela, descobri que ela era a responsável pela sessão do meu amigo. Combinei de ir no início da sessão apresentar o artigo dele por 10 minutos e depois retornar para minha sessão – mas não sem antes avisar os participantes e o responsável da minha sessão. Enquanto isso, dirigimo-nos para o salão do almoço, sentamos numa mesa requintadamente decorada e aguardamos nosso almoço, que fazia parte do evento. Mas preciso dizer com franqueza que, para um hotel de luxo, o almoço deixou a desejar. Nada digno de nota, infelizmente. Uma carne de porco razoavelmente saborosa, um arroz sem graça... Mas tudo bem, eu só conseguia pensar mesmo na minha apresentação – e como eu poderia conseguir a façanha de me desdobrar em duas para apresentar o meu artigo e o do meu amigo.

Como estava ansiosa para resolver isto logo, pedi licença e tratei de buscar a sala da minha sessão. Chegando lá já havia algumas pessoas, dentre elas uma das que ia também apresentar um artigo naquela sessão. Perguntei se alguém sabia quem era o coordenador da sessão, mas ninguém sabia. Não pude fazer outra coisa senão esperar. E daí pra frente, tive que contar com a sorte e a compreensão dos meus companheiros de sessão. Em resumo, minha sessão estava sem coordenador, e uma moça que fazia parte da organização do evento perguntou se alguém poderia se voluntariar. Como a voluntária foi justamente a professora que já estava na sala quando cheguei, e com quem falei sobre o fato de ter que apresentar o artigo do meu amigo, foi relativamente mais tranqüilo. O problema é que minha sessão teve que ser adiantada, e eu tive que sair dela depois da minha apresentação e correr para a sessão do artigo do meu amigo. No final das contas, deu tudo certo, os dois artigos foram devidamente apresentados. Acho que nem deu tempo para ficar nervosa rs. Foi uma experiência e tanto!

Depois de um dia inteiro de congresso, assistindo algumas sessões dos meus temas de interesse intercaladas com apresentação de amigos do mestrado, estava na hora de ir para o hotel. Aqui vale contar uma história no mínimo curiosa que aconteceu comigo. Saindo do hotel do congresso, perguntei a um rapaz (funcionário do hotel) na saída como poderia pegar um táxi ali. Ele disse que havia os táxis do hotel, mas que estes eram bem caros (corridas em dólares), e que eu poderia pegar um na rua sem maiores problemas. Como já havia falado em algumas partes anteriores nos posts, os táxis no Peru não têm taxímetro, então uma corrida pode custar de 8 soles até 50. E os carros são, em grande número, bem velhos e sempre dizem que é bom tomar cuidado (afinal, cuidado nunca é demais). Já estava escuro, e eu estava achando aquele lugar meio deserto... Eis que surge um senhor com uniforme do hotel, dizendo que era o chefe de segurança do hotel e pedindo que eu não pegasse táxi ali, pois ele não achava e seguro e não gostaria que clientes passassem por qualquer situação de risco! Nessa brincadeira, achei melhor acatar o pedido do tal gerente gentil. Morri em 20 dólares (facaaaaaaaada) numa corrida do Swissotel para o meu hotel em Miraflores, a qual o Leo mais cedo havia pagado apenas 8 soles! Até hoje não sei se fiz o mais certo ou não, mas num lugar desconhecido e com a abordagem do tal gerente de segurança do hotel, achei que minha segurança valia 20 dólares rs rs.

Eu havia combinado com Leo mais cedo que iríamos jantar em um restaurante que é bem turístico, o Rosa Náutica. Ele fica numa espécie de píer, “flutuando” sobre o mar limenho, e parecia ser incrível. O Leo fez a reserva e deu tempo de chegar no hotel apenas para trocar de roupa e tomar o nosso Pisco Sour cortesia no bar do nosso hotel. Minha impressão sobre o Pisco Sour é que lembrou bastante a caipirinha do Brasil... Bom, tomamos um táxi e fomos ao tal Rosa Náutica. O restaurante cumpriu todas as expectativas que criei. Muito bonito, chique... Tão chique que o cardápio feminino é diferente do masculino – não tem os preços dos pratos! Eu ia falando para o Leo “e esse prato, é bom?!”, e ele ia dando o tom “esse é mais ou menos...” rs rs. O restaurante era tão chique que até ficamos sem graça de tirar foto dos pratos, mas estavam deliciosos. O meu era uma carne meio apimentada com macarrão ao molho branco... Uma das melhores carnes que já comi! Foi uma pena que não tivemos tempo de ir lá de dia, deve ter um visual lindo! Recomendo fortemente, vale cada centavo pago! E assim terminou nossa quarta e última noite em Lima, regada a vinho e com direito a vento frio no píer e lhama de pelúcia escondida no armário! 

ps: Este foi o dia com menos fotos... Umas 6 ao todo rs. Coloco aqui as que pelo menos ilustram um pouco o post...

Litoral limenho

Rosa Náutica

terça-feira, 20 de março de 2012

Diário de Viagem - Dia 3


Dia 3: It’s time for Lima!

Nosso vôo de Cusco para Lima saía por volta de 9:30h, e acordamos cedo para fazer check out, pegar van para o aeroporto etc. Café da manhã tomado, despedimo-nos do hotel que tão bem nos recebeu nos primeiros dias no Peru e partimos para a rodoviár.. ops, quer dizer, para o aeroporto de Cusco. Chegamos bem cedinho, e mais uma vez fomos surpreendidos com a eficiência da agência que nos ciceroneou por Cusco: já haviam feito nosso check in! Tínhamos apenas que despachar as bagagens. Curiosidade: não há raio x para as bagagens despachadas nesse aeroporto. O que eles fazem é pedir ao viajante para abrir (sim, isso mesmo) sua bagagem na frente de um inspetor do aeroporto (ou o que quer que seja) para que ele averigue seus pertences. No nosso caso, o inspetor perguntou se estávamos juntos e, depois da confirmação, pediu para abrir apenas a bagagem do Leo (a mala dele era maior que a minha...). A inspeção realizada na mala do Leo foi tão superficial que nem deu pra acreditar. O inspetor deu uma olhada nas roupas que estavam por cima, perguntou se estávamos levando algo inflamável, e só. Um tanto quanto não confiável, mas vamos em frente.

Tivemos que fazer hora no aeroporto, mas achamos melhor passar logo pelo raio x para aguardar nosso vôo já perto do portão de embarque. A esperta aqui tinha comprado uma garrafa de água, a qual teve que ser abandonada pela metade no saguão anterior ao raio x... Botas, relógios e afins devidamente retirados, passamos pelo raio x, no qual mais uma vez minha bolsa chamou a atenção dos guardinhas: dessa vez por causa de um chaveiro! Meu chaveiro de lagarto do Gaudi, vindo diretamente de Barcelona de presente das minhas irmãs Streit, foi confundindo com um cocodrilo (“hay un cocodrilo?” foi a pergunta que me surpreendeu no raio x). Era só o que faltava, ser confundida como uma traficante de mini-cocodrilos... rs rs Mal-entendidos esclarecidos, era hora de deixar a bunda quadrada no saguão do aeroporto e aguardar o embarque.

Depois de uma saída turbulenta e pouco mais de 1 hora, aterrissamos em Lima. Agora estávamos por nossa conta e risco, sem as mordomias de uma agência nos cercando de todos os lados. Decidimos pegar um táxi de dentro do aeroporto por acharmos mais seguro, e também porque não são todos os táxis que podem parar nas redondezas do aeroporto... Nem tão seguro como Leo bem lembrou, pois pegamos o primeiro que nos ofereceu o serviço. Mas pode-se colocar a culpa na ansiedade em começar a descobrir Lima o quanto antes... rs rs Enfim, o motorista era super simpático e nos deu várias dicas. O carro era bastante confortável, fazendo jus aos 60 soles (ou algo que o valha) investidos – e corriqueiramente vamos nos deparar com o assunto táxi que, comparado a outras metrópoles como o Rio de Janeiro, é muito barato, mas tem uma variação absurda de preço por conta da negociação que pode ser feita. Um trajeto pode custar 6 soles ou 20 soles (ou até dólares), dependendo da ocasião.

Voltando ao assunto principal, o aeroporto fica afastado (entre 30 a 40 minutos) da região onde nos hospedamos. Minha ida a Lima era para participar de um congresso que ia ser realizado em um hotel num bairro meio residencial, meio centro de negócios – San Isidro. Decidimos nos hospedar em Miraflores, principalmente pelas buscas nos blogs que diziam que este era o bairro mais turístico, perto de atrações, barzinhos, restaurantes... E é vizinho a San Isidro.

Parênteses para falar do nosso hotel em Lima: ficamos hospedados no La Hacienda Hotel & Casino. Nosso padrão de instalações hoteleiras havia sido elevado em Cusco, mas achamos o hotel razoável pela localização, valor etc. E o atendimento, conforto e limpeza satisfizeram nossas expectativas.

Bom, check in feito – com direito a um vale para tomar Pisco Sour no bar do hotel –, malas deixadas no quarto, decidimos andar pelo bairro para conhecer as redondezas e procurar um restaurante para almoçar, até porque na segunda-feira eu não precisava estar no congresso. Conhecemos o Parque Kennedy – muito florido e bem cuidado –, onde avistamos uma barraquinha de nome curioso: Picarones. Depois da foto tirada, passamos ao lado e tentei descobrir o que seria aquilo. A barraquinha em si lembrava as barracas de churros daqui, mas o tal do picarón não parecia nada muito além de um bolinho frito. E, através do santo Google, descobri que esse bolinho é feito originalmente a base de camote, que é um tipo de batata de lá (e as receitas no Brasil adaptam e colocam abóbora no lugar do camote), e é servido com uma calda doce.

Almoçamos num restaurante bem mais ou menos na Pizza Street, uma rua pequena e pretensiosamente charmosa composta de bares e restaurantes. A maioria estava fechada e optamos por um dos poucos restaurantes abertos que pareceu mais movimentado. A pizza era razoável e barata, e lá experimentei um suco típico chamado Chicha Morada, feito de milho roxo. Tem cor de suco de uva (o que na hora me deixou meio intrigada já que não gosto muito de suco de uva) com um gosto beeem doce – acho que os peruanos gostam de tudo com muito açúcar! Mas valeu pela experiência... Depois de almoçar, andamos ao redor do Parque Kennedy e encontramos duas grandes lojas que mais tarde soubemos que eram uma espécie de “mercado” artesanal. Andamos um pouco por lá, mas o cansaço acumulado dos dias anteriores esgotou nossas energias (nem gorros o Leo quis comprar!) e rumamos para o hotel para dar uma descansada. Detalhe: os preços nesse mercado (e nos pontos de artesanato e "bugingangas de Lima) eram mais altos do que o querido mercado artesanal de Cusco. Ponto negativo para nós, que deixamos para comprar alguns souvenirs e presentes (como um jogo de xadrez com peças  formando um exército Inca contra um exército Espanhol que eu amei) em Lima para não pesar a mala a toa...

Depois de algumas horinhas de sono, despertamos já na noite Limenha e partimos para o famoso Larcomar, um dos shoppings de Lima e que fica em Miraflores. Mas o Larcomar não é qualquer shopping... Ele fica incrustado na bela falésia que beira o litoral limenho, o que dá todo o charme a esse centro comercial. A chegada ao Larcomar é marcada por uma área livre, com bancos, jardins, pistas, muitas pessoas passeando e também pelas entradas do shopping propriamente ditas, que dão acesso às escadas pelas quais se desce (!) até o nível das lojas e restaurantes, sem contar a vista para o litoral de Lima.  Entramos no shopping e nos deparamos com um movimento razoável para uma segunda-feira normal. Rodamos pelos corredores a céu aberto e por outros cobertos. Muitas opções de lojas, bares e restaurantes (incluindo um da marca Havanna, mas não fomos nele...). Aproveitamos para “cambiar” alguns dólares por soles, o câmbio no shopping foi um dos melhores que encontramos!

Depois de passearmos um pouco, decidimos jantar num restaurante chamado Mangos. Uma das partes mais interessantes para mim em viagem são os momentos de refeição, e o Mangos não deixou nada a desejar. Ambiente super moderno e bonito, era possível sentar na parte fechada ou na varanda, com vista para o litoral – e para o vento forte da noite limenha a beira mar. Sentamos na varanda, logicamente, onde tinha diversos aquecedores (daqueles grandes a gás) espalhados, para tentar dissipar o efeito do vento frio - em pleno dezembro! Não adiantou muuuuita coisa, mas a experiência toda foi muito boa. Da varanda também avistávamos o bar do restaurante, grande e moderno, com uma iluminação muito interessante. Para mim havia chegado a hora de provar a iguaria que povoava meus anseios nessa viagem até o momento: ceviche, uma iguaria típica do Peru que nada mais é que peixe branco cru (podendo também ser de outros frutos do mar) marinado em suco de limão. Todo o cardápio parecia muito saboroso, mas eu não tinha dúvidas do que iria pedir, e o Leo resolveu embarcar junto. E foi neste momento que uma das situações mais engraçadas aconteceu. Nosso prato chegou, lindamente decorado, com dois tipos de choclo, camote, cebolas e tudo que um ceviche tipicamente peruano tem direito. Estávamos saboreando a iguaria, quando de repente Leo para, dá uma garfada em um pedaço do ceviche, corta-o ao meio e me pergunta: “Isso é peixe cru?!”. Qual não foi a minha satisfação em confirmar a pergunta tão temida por ele, um ser cuja dieta poderia ser resumida em arroz, carnes, batata, amendoim, pastel e coca-cola?! Só para sacanear um pouco mais, eu disse que não, que na verdade era peixe cozido... No limão. Mas para uma pessoa que até então só de ouvir “peixe cru” torcia o nariz, ele até que surpreendeu me ajudando a limpar o prato. De fato, era impossível resistir, estava muito saboroso. Depois de jantar, resolvemos dar mais uma voltinha e terminar a noite curtindo a área livre do shopping no nível da rua. Mais um final de noite agradável (ainda que frio) diante de uma das vistas mais bonitas de Lima...

Parque Kennedy - Entrada

Barraquinha de Picarones!

Jardins - Parque Kennedy

Larcomar a noite

Bar/Restaurante Havanna!

Ceviche (huuuuuuum...)

Larcomar - outro ângulo

Mangos


quarta-feira, 7 de março de 2012

Diário de Viagem - Dia 2

Depois de quase 1 mês, continuemos com os relatos, cada vez mais longos, dessa viagem inesquecível...




Fomos despertados pelo serviço de despertador do hotel (gentilmente solicitado – sem que nós soubéssemos – pela menina da agência de turismo), e alguns segundos depois pelos despertadores dos celulares tocando sem parar. Se não me engano, 5:45 foi o horário. De qualquer forma, precisava ser muito cedo, pois enfrentaríamos uma longa jornada até nosso destino do dia: Machu Picchu! Aprontamo-nos, assim como as mochilas com nossos pertences a serem levados – protetor, água, câmera, batata lays... – e descemos para tomar café da manhã. Depois de um café da manhã farto e muitas fotos da área do café (que tem até um laguinho cheio de peixes), partimos para o microônibus, que nos aguardava na porta do hotel. Primeira sensação ao colocar os pés fora do hotel: que frio! Era por volta de 7h da matina, um sol lindo, mas fazia um friozinho esperto! Características da região... 

No caminho para a estação do trem os contrastes sociais, tão típicos da região da América do Sul, começaram a despontar. Cusco fica em um vale cercado de montanhas, e não tardou para aparecerem o que aos nossos olhos remetiam às favelas brasileiras. Casas e população muito humildes. Mas, deixando isso de lado, a ansiedade já ia tomando conta à medida que prosseguíamos rumo à estação de trem, avistando picos nevados no horizonte de um dia lindo de sol forte.

Chegando a estação de trem, ficamos aguardando a chamada. Fazia muito frio ainda, apesar do sol. Ida ao banheiro para garantir – a viagem que enfrentaríamos em breve era longa –, nossos olhos curiosos rondando o ambiente, olhando os outros rostos curiosos, ansiosos pelo destino final. Então, a chamada para embarque. Viajamos pela Peru Rail. Ao que tudo indica, existem outras empresas que fazem o trajeto entre Cusco e Águas Calientes, porém ouvimos que esta empresa com a qual viajamos é uma das melhores em termos de conforto. Tirando o fato de não ter ar condicionado (explicações a seguir), realmente o trem era razoavelmente confortável. Foram cerca de 3:30h de viagem, e a variação de temperatura nesta região é bastante significativa (no verão, noites muito frias e dias bem quentes). Lá pelas 10h já estávamos sentindo um pouco de calor... 11h estávamos suando e rezando para chegar logo. Às vezes batia um ventinho pela janela superior (a única que abria, e ela era pequena), o que amenizava o calor. Não chegou a ser insuportável, mas fiquei imaginando que se esse era o trem mais confortável, como seria o pior deles... Divagações a parte, o trajeto era muito bonito. O percurso do trem é feito na margem de um rio lindo (falha: não sei ao certo o nome do rio... Pelo Google, estou achando que é o Rio Urubamba), as paisagens são bonitas, alterando áreas rurais e picos nevados. Gastamos boa parte da memória da câmera com fotos do trajeto (o que se apresentaria como um erro mais tarde, ainda mais com um companheiro de viagem que não queria deletar nenhuma foto, mesmo tendo feito backup no computador! rs).

Um detalhe que precisa ser contado: Ainda no trem, Leo e eu conversávamos em um dado momento, e de repente ele diz: “Você está ouvindo o que está tocando?”. Parei e comecei a prestar atenção... E qual foi a minha surpresa quando comecei a ouvir “delícia, delícia, assim você me mata...”, a música do Michel Telo que bombou nos últimos tempos. Era início de dezembro, e eu (e acredito que muitas pessoas) não fazia idéia que a música tinha se difundido dessa forma. Nem era um brasileiro ouvindo a tal da música, era um camarada que parecia boliviano (mas quem sou eu pra saber diferenciar as nacionalidades, ainda mais dos países da América do Sul rs) que, inclusive, executava (sem muito sucesso, devo dizer) as coreografias da música. Parênteses, ele estava ouvindo a música pelo alto falante do celular, ou seja, a falta de educação dessa prática (opinião pessoal) não se restringe ao nosso país...


Finalmente, chegamos... A Águas Calientes! É a cidade mais próxima de Machu Picchu, ponto final da linha do trem e pareceu muito aconchegante. Mas depois falarei melhor sobre ela. Chegando à estação, uma nova representante da agência de turismo estava lá para nos recepcionar e nos levar ao ônibus que nos conduziria à Machu Picchu. Tivemos tempo apenas de comprar mais água e uns biscoitos antes de entrarmos na fila do ônibus (nota: não há lugares para comprar este tipo de coisa lá em cima, há apenas um restaurante o qual não sei bem o funcionamento, mas imagino ser necessário reservar com certa antecedência). A subida durou cerca de 20 minutos. A serra tem várias curvas e a estrada é bem estreita, então quando o nosso ônibus que subia cruzava com outro ônibus que descia dava certo frio na barriga, ainda mais quando olhávamos pela janela e víamos a pirambeira por onde o ônibus ia se aventurando sem medo. Quase chegando já dava para avistar um pouco das ruínas, o que só fazia aumentar nossa expectativa!

Descendo do ônibus, fomos recepcionados pela nossa guia. Falha grave: não lembro o nome dela. Mas ela era bastante atenciosa. Conosco seguiram 2 casais, ambos americanos. Um deles na faixa de 50 anos, o outro na faixa de 70 ou 80. Ficamos inicialmente apreensivos, pensamos em “dar um perdido” no grupo e seguir por nossa conta... Mas no final das contas preferimos acompanhá-los e acabou sendo muito mais proveitoso. Bilhetes devidamente entregues, passaporte devidamente carimbado (meu passaporte novinho ansiava pelo carimbo de Machu Picchu!), entramos. O sol de meio dia estava bastante forte, o calor era intenso, mas nada disso deixou que a emoção tomasse conta. Indescritível é a palavra para definir o que foi o momento de passar pela entrada e avistar aquele cenário que estamos acostumados a ver apenas por foto. Estava ali, ao nosso alcance. A guia ia nos explicando o que significava cada ponto, cada área, cada templo, e seguíamos contemplando aquele lugar que, apesar de receber milhares de pessoas por dia se mostra surpreendentemente tranqüilo em vários momentos. Perdi as contas das vezes em que me deparei sozinha, no meio das ruínas, e o silêncio me envolvia, uma sensação grande de paz e tranqüilidade. Alguns pontos (não exaustivos!) interessantes da visita:

  • A área onde fica Machu Picchu é toda “setorizada”: uma parte é a área que abrigava a agricultura, outra é a área residencial, outra é área sagrada, dedicada aos templos...
  • Picchu, em quéchua, significa Montanha. Machu Picchu significa Montanha Velha, e é o nome dado a uma das montanhas que formam a região onde a cidade Inca está instalada. Existem diversas outras montanhas que formam a região, sendo uma das principais a Wayna ou Huayna Picchu (Montanha Jovem – uma das montanhas que sempre aparece nas tradicionais fotos de Machu Picchu), onde também tem ruínas e um dos templos mais visitados, o templo da Lua. Não chegamos a ir lá por conta do tempo, mas existe uma trilha (bastante difícil pelo o que dizem) que leva ao topo da montanha, e o número de visitantes que sobem esta montanha por dia é controlado. Tem também a Putukusi, Montanha Feliz, montanha da qual tenho um book graças à paixão que ela despertou no Leo... Vai entender!
  • Curiosidade: a guia nos contou que ninguém sabe ao certo qual era o nome original da cidade, e muito provavelmente não era Machu Picchu!
  • Lhamas: sim, existem! Sim, são fofas e sorridentes! (olhem a foto e digam que não! rs rs) Deparamo-nos com algumas na nossa visita... Uma ficou tão perto que até me assustei, elas são bem grandonas rs.
  • Em uma determinada parte está localizado o que entendi como sendo uma espécie de relógio inca, através do qual era possível saber as estações do ano etc. Com a ajuda do Google e lembrando a fala da guia, o nome desta construção é Intihuatana e, de acordo com a nossa guia, ela possui propriedades espirituais, energizantes... Não pode tocá-la, apenas aproximar a mão para tentar sentir as boas energias que emanam da pedra. Depois o Leo comenta o que ele sentiu...
  • A guia nos mostrou também um altar que, segundo ela, era composto por três degraus. Confesso que não entendi muito bem o significado dos degraus, mas toda hora em diversas construções ela apontava os tais degraus (que teve gente que jurava que eram mais de três...).
  • Machu Picchu completou, em 2011, 100 anos do seu redescobrimento. Em resumo, um pesquisador americano chamado Hiram Bingham, durante uma de suas investigações arqueológicas, “encontrou” a cidade perdida há 100 anos, desencadeando diversas explorações arqueológicas na área que, consequentemente, encontraram lá vários objetos e artefatos incas que acabaram sob custódia dos americanos. O governo do Peru briga até hoje para tentar reaver alguns destes objetos...
  • Existe uma única árvore em Machu Picchu, que parece que existe desde o redescobrimento da cidade inca...
  • Para finalizar, a engenharia da construção do lugar é de tirar o fôlego! O encaixe das pedras, a acústica, a “climatização” nas construções (mesmo com o calor de quase 40 graus que fazia era possível parar nas sombras das construções de pedra e nem sentir calor...), tudo muito impressionante!
 Poderia prosseguir escrevendo parágrafos e mais parágrafos sobre Machu Picchu, mas esse texto, assim como foi com a visita, uma hora tem que chegar ao fim. Um comentário adicional sobre o nosso grupo da visita foi que, especificamente o casal mais velho acabou nos surpreendendo... Em um determinado momento eles quiseram parar e nos aguardar sentados em um ponto das ruínas, nada mais justo para um senhor e uma senhora com mais de 70 anos num sítio arqueológico onde se anda muito, e principalmente, onde se sobe e desce inúmeros degraus. Mas o que nos chamou mais atenção foi o simples fato deles estarem ali. E me fez reforçar ainda mais a idéia de que para viajar basta estar vivo... Não é idade, joelho ferrado, dor nas costas, nem nada do tipo que impede que se viaje, conheça os lugares... E depois eles falaram que viajam sempre, que a última viagem foi para o Panamá.... Muito legal.

Terminada nossa visita, pegamos o ônibus para descer (menos radical, uma vez que ele segue do lado de dentro da pista...) e, 25 minutos depois, estávamos em Águas Calientes novamente. Nosso pacote previa um almoço em um restaurante da cidade, e a nossa guia, que também desceu conosco, nos acompanhou ao restaurante, nos guiando por ruas estreitas cheias de lojinhas, bares, restaurantes, hostels... Esse restaurante onde almoçamos ficava em um hotel muito bacana! Pena que não anotamos o nome, estou até agora tentando descobrir... Enfim, como já era por volta de 15h, o restaurante estava vazio, e nosso almoço foi super privativo. A comida, apesar do horário avançado para almoço, estava muito saborosa e nós estávamos com fome e exaustos. Literalmente nos jogamos no sofá que compunha a mesa. Após o almoço, aproveitamos para andarmos um pouquinho por Águas Calientes e passearmos pelo mercado artesanal de lá. Nem precisa dizer que era outra perdição, cheio de lembrancinhas, enfeites, tapetes, e os mais diversos badulaques que se pode imaginar, mas acho que devido ao cansaço compramos apenas uma lembrança para a mãe do Leo. Seguimos para a estação de trem e, depois de algumas confusões com o horário de embarque (ainda bem que estávamos adiantados...) e de algum tempo de espera, finalmente entramos no trem para retornar a Cusco. Saímos de Águas Calientes por volta de 16:40h, pensando que seria bem legal retornar e ficar hospedado por ali e desfrutar dessa cidade super aconchegante. No trem, seguíamos em direção a Cusco com a tarde caindo no horizonte e a noite chegando. Fazia calor dentro do trem, mas pelo o que tínhamos passado de manhã, já sabia que a chegada em Cusco nos proporcionaria uma recepção bem fria. Estávamos muito cansados, e por isso tiramos umas poucas fotos no trajeto de volta, tentando descansar tanto quanto a poltrona do trem nos permitia...

Chegamos à estação em Cusco por volta de 20h. Sim, o frio estava lá de braços abertos para nos recepcionar... Ainda bem que havia uma nova guia com um carro já nos aguardando para nos levar de volta ao aeroporto. Chegamos ao hotel cansados, porém com fome e vontade de aproveitar a última noite em Cusco. De banho tomado, partimos para a recepção. Enquanto nos arrumávamos, começou a chover, então achamos melhor chamar um táxi para irmos até a Plaza de Armas.

Agora cheguei num ponto curiosíssimo da viagem... Os táxis! A maioria dos táxis no Peru são carros velhos... Não chegam a estar caindo aos pedaços (nem todos, pelo menos rs), mas são visivelmente antigos. Mas o mais curioso é a forma de cobrança da corrida: você negocia o valor com o motorista! É, não existe taxímetro. Nas minhas pesquisas preliminares da viagem, já tinha lido sobre isso, então não chegou a ser um choque... Mas é curioso! E lá as corridas são, no geral, muito baratas. Muito mesmo. Esse percurso entre o hotel e a Plaza de Armas saiu por uns 5 reais (se não me engano, 8 soles).

Bom, voltando... Descemos na Plaza de Armas... E em nada lembrava a noite anterior! Além da chuva, ela estava praticamente deserta. Atribuímos isso ao fato de ser domingo... Bom, a missão era como a da noite anterior: achar um restaurante para jantar. Tentamos um restaurante indicado pela primeira guia, o qual eu também tinha visto nas minhas pesquisas... Quando tentamos entrar, fomos informados que já estavam fechando. Com frio e fome, avistamos o querido restaurante da noite anterior, funcionando a pleno vapor. Sem paciência e prevendo que o acontecido neste restaurante poderia acontecer em outros, rumamos para o Meson de Espaderos novamente. Era uma opção segura e disponível, apesar de não criativa. Enquanto éramos recepcionados pelo garçom, parei e ouvi com atenção a música de fundo... Puxei o braço do Leo e disse: “escuta, está tocando... Raça Negra!”. Quando falei o nome mágico, o garçom vira e pergunta: “Brasileños?!”. Rs rs Nem precisa falar que o jantar foi embalado ao som de Raça Negra e seus “sucessos”.Bom, músicas a parte, o pedido da noite foi uma parrillada e um vinho que demorou a terminar... Achei que seríamos até expulsos do restaurante! Confesso que a parrillada não estava tão saborosa quanto o lomo saltado da noite anterior, mas foi uma boa experiência. Na volta, pegamos outro táxi para o hotel porque a chuva não dava trégua. 

Algumas fotos para ilustrar a descrição...

Laguinho na área de café da manhã do hotel...
Periferia de Cusco

Avistando os picos nevados a caminho da estação de trem!

Estação do trem - Rumo a Machu Picchu!
No caminho...

No caminho... (2)
Glacê!

No caminho... (3)

Chegada emocionante!
Machu Picchu, baby!
 
Os famosos 3 degraus... Ou 4, 5, 6...


Setor residencial com a Wayna Picchu ao fundo

Setor residencial. a árvore única e a Putukusi ao fundo
 
Lhama sorridente!!

Intihuatana

National Geographip Pic: Templo das três janelas e a lhama-modelo

Fofura máxima: Chinchila tirando uma soneca entre as construções incas

Águas Calientes (1)

Águas Calientes (2) - Mercado Artesanal a direita

Parrillada!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diário de viagem - Dia 1

* Já avisando: o post está enorme! Mas achei melhor colocar tudo de uma vez do que dividir...

Dia 1: Rio – Lima – Cusco!


A ansiedade te dá, para o bem ou para o mal, certas características. Uma delas é a antecipação. Eu estou sempre tentando antecipar tudo, e dessa vez não foi diferente. Check in feito no dia anterior... Ainda bem! A fila para o check in era imensa, e não havia totens para o check in online. Entrei na fila de despacho de bagagens, e em 10 minutos tudo estava resolvido. Tive ainda que esperar abrirem o embarque (ninguém mandou madrugar...), e lá fui eu, para o raio X e polícia federal. Com todo o cuidado que só a ansiedade me permite, pesquisei em mil sites diferentes aquilo que poderia e não poderia ser levado na bagagem de mão. E, apesar de ser a primeira viagem internacional, não foi a primeira vez de viagem de avião, então com o raio x eu já estava familiarizada. Relógio estrategicamente retirado e deixado na bolsa, essas coisas...  Eis que o supervisor (ou seja lá o nome do funcionário que faz esse tipo de atividade) pede para que uma fiscal abra minha mochila. Como assim?! Isso nunca havia acontecido... Eu pensava o que ele poderia ter visto de estranho. Primeiro item: um apontador de slides (aquela canetinha com laser na ponta que se usa para apresentações, que permite que você passe os slides sem ter que ficar preso ao computador). Desvendado o mistério, eis que aparece o segundo item: um frasco misterioso contendo algum líquido. Pensei que fosse meu descongestionante nasal (semi-vício), mas não era ele. Ele estava na bolsa, o tal frasco misterioso estava na mochila. Comecei a procurar, a fiscal (muito atenciosa) me ajudando, tentando ver o que poderia ser... Dentro da minha mochila eu levava uma muda de roupa, um livro, meus aparatos eletrônicos e uma mochila menor, que eu costumo usar no meu dia a dia. Eis que lembro que havia comprado há umas 2 semanas um enxaguante bucal e, pior, havia o esquecido dentro da minha mochila menor... Dito e feito, era o próprio. Como era pequeno (menos de 100ml) não deu problema nenhum. Ri de mim mesma no trajeto para o posto da polícia federal... Por mais que se tente, nem sempre conseguimos planejar ou antecipar tudo. Sempre podem confundir uma simples caneta eletrônica com sabe-se lá o que, ou ainda, você sempre pode esquecer o enxaguante bucal num bolso perdido. O resumo da história até agora é: vôo na madrugada, pouco sono, tensão a mil!

Já na sala de embarque, depois dos procedimentos de praxe (ou quase) para embarcar, conheci uma limenha muito simpática! Ela começou a puxar papo e contou que estava de férias no Brasil com a mãe e uma amiga. Conversamos (e foi engraçado ela achar que eu era famosa porque estava indo apresentar um artigo num congresso...), me passou várias dicas e trocamos e-mail, para que ela pudesse me mandar mais dicas do Peru (e de Lima principalmente). Despedimo-nos e partimos para o avião, o embarque estava começando! Um ponto que me preocupava é que não costumo dormir em vôo e eu teria 5 horas pela frente sozinha num vôo internacional. Mas acho que a ansiedade misturada com o sono acumulado dos preparativos das noites anteriores acabou ajudando, e dormi boa parte da viagem. Acordei a tempo de vislumbrar pela janela (ah, a benção de ser ansiosa e ter feito check in na véspera pela internet...) a famosa cordilheira dos Andes, imensa, cheia de neve nos cumes – eba, vendo a neve pela primeira vez, ainda que longe! Logo em seguida, o Lago Titicaca – e neste momento, eu e o simpático casal que dividia a fileira comigo já contávamos com os comentários de uma “guia nativa”, uma professora peruana muito simpática que reside no Brasil há mais de 10 anos e que, pasmem, também ia ao mesmo congresso que eu e, pasmem mais uma vez, fez mestrado no mesmo lugar que eu, conhecia meu orientador... Conclusão, pontos em comum e mais um contato estabelecido!

Bom, chegando à Lima, fui dando sequência, agora aos procedimentos de desembarque. Se você for ao Peru, não se assuste: eles vão pedir seu passaporte a todo momento, achei que iam pedir até na entrada dos banheiros... Encontrei meu companheiro de viagem antes de passarmos pela imigração (ele vinha de SP e os vôos chegaram na mesma hora). Burocras a parte, chegamos finalmente a Lima! Ou ao aeroporto... Ainda íamos esperar algumas horas pelo nosso vôo para Cusco.

Tratamos de fazer logo o check in no vôo pra Cusco. A fila no guichê da Lan estava imensa, mas resistimos bravamente. Depois de termos ficado um bom tempo na fila e de ter feito o check in, vimos que tinham alguns totens da Lan, o que teria facilitado e muito, já que a fila destinada apenas para despachar a bagagem estava beeem menor. Mas tudo bem, tempo não era o problema... Resolvemos que era melhor trocar uns dólares no aeroporto (sim, preferimos levar dólares, todos os blogs especializados que visitei recomendavam isto, além dos conhecidos) para não ficarmos sem a moeda local, que é o nuevo sol (soles, no plural). Descobrimos mais tarde que a taxa de câmbio do aeroporto foi a pior que encontramos na viagem (acho que isto não era muito novidade), mas como achamos melhor prevenir, acabamos trocando um quantia por lá mesmo. Ideal é não trocar uma quantia grande, apenas o suficiente para os gastos iniciais.
Nosso primeiro almoço em terras peruanas foi no Mc Donalds do aeroporto (rs). Era a opção mais viável dado que estávamos fazendo hora no aeroporto, éramos recém chegados ao país e ainda estávamos “reconhecendo o território”. A lembrancinha do Mc Lanche Feliz (Cajita Feliz) eram bonequinhos da turma do Chaves e confesso que me arrependi de não ter pedido isto... Ia ser uma lembrança legal!
Depois do almoço e umas voltas no aeroporto, seguimos pro embarque, para tomar mais um chá de cadeira (dessa vez abusando dos aparatos tecnológicos para assistir um filme enquanto esperávamos). O voo saiu pontualmente e durou em torno de 1 hora. Foi relativamente tranqüilo, exceto o pouso em Cusco... Não sei se é a geografia da região, mas a descida é bem turbulenta. Parênteses para falar do aeroporto de Cusco: parece mais uma rodoviária... No desembarque tinham vários agentes de turismo chamando as pessoas que mal haviam desembarcado e pegavam suas malas, o que era meio chato, mas já sinalizava para uma característica do comércio peruano.

Antes de sairmos do Brasil fechamos um pacote para o fim de semana com uma agência muito boa, que era conveniada ao congresso que participei. Logo na chegada em Cusco, tinha uma pessoa nos aguardando para nos levar ao hotel. Saindo do aeroporto, já dava para sentir diferença na hora de respirar... Cusco está localizada 3500 metros acima do nível do mar. Já havia sido avisada (por amigos e pelos blogs de viagem visitados) sobre o mal de atitude (soroche), que pode causar diarreia, ânsia de vômito, dor de cabeça, entre outros. Para mim ficou “apenas” na dor de cabeça e na dificuldade de respirar. Chegando ao hotel nos serviram o mate (chá) de coca. Não se engane, o tal chá não é alucinógeno nem nada. É digestivo e ajuda a combater os sintomas do soroche. E é bem saboroso, pelo menos para quem gosta de chá!

(Parênteses para falar um pouco sobre o hotel em que ficamos – Eco Inn. Bonito, agradável, quarto amplo, limpo, café da manhã maravilhoso, mate de coca liberado... Sem contar que é bem localizado, na Avenida El Sol, a principal de Cusco, onde tem o mercado artesanal, um mosteiro bem bonito, lojinhas, outros hoteis e que acaba na Plaza de Armas. Para mim, que tive dificuldade em respirar, pareceu que tinha que andar mais do que gostaria saindo do hotel para chegar na Plaza de Armas – que é onde tem movimentação, restaurantes etc. Mas a distância nem era tão grande e a rua até a Plaza era bem interessante – apesar de ser uma subidinha de leve. Recomendo para quem quiser passar uns dias em Cusco com conforto e tranquilidade...)

Enquanto saboreávamos pela primeira vez o mate de coca no lobby do hotel, a menina da agência de turismo providenciou para nós o check in e, em seguida, nos deu um mapa do centro histórico e marcou nele os principais pontos (restaurantes inclusive). Devidamente instalados num quarto bastante confortável, decidimos descansar um pouco antes de sair para conhecer o mercado artesanal e o centro histórico. Mas a curiosidade para começar a ver tudo que tinha pra ser visto era maior que a vontade de descansar, e resolvemos tomar banho e sair logo. Saindo do hotel, logo na porta, surgiam vendedores ambulantes oferecendo mercadorias para nós. Tinha de tudo, desde bolsas até pinturas... Alguns falavam até inglês! Agradecemos e atravessamos a rua para entrarmos no mercado, que é incrível! Colorido... Muitas coisas bonitas! Ficamos alucinados, tudo parecia muito barato (e de fato, pesquisando, as coisas eram baratas mesmo). Comprinhas ali e aqui (começando a coleção de gorros...), perdemos a noção da hora! A fome, que já estava dando sinais antes de entrar no mercado, começou a gritar, decidimos voltar ao hotel para deixar as coisas compradas e fomos rumo ao centro histórico para conhecê-lo e jantar – nossa primeira refeição tipicamente peruana.
A distância não era tão grande, mas a (minha) dificuldade para respirar fez com que nossa caminhada parecesse mais longa que o normal. No caminho, um mosteiro bem bonito, do qual não conseguimos nenhuma foto boa! Supermercados, lojinhas, pessoas (bastante turistas) indo e vindo... Estava bem movimentado. Compramos no meio do caminho um protetor solar (recomendação para o dia seguinte). Resolvemos jantar logo antes de rodar pelo centro histórico (e até porque eu já tinha ficado cansada...). Circulamos um pouco, buscando os restaurantes indicados pela nossa guia. Parados em um determinado ponto, sem saber ao certo para onde ir, avistamos um restaurante muito simpático, num sobrado que parecia muito agradável. Rumamos para lá. Meson de Espaderos é o nome dele, e de fato, o restaurante era agradabilíssimo, e a comida muito saborosa. Tinha uma carta de vinhos bem interessante, mas como íamos acordar bem cedo para ir a Machu Picchu, ficamos no suco e no refrigerante. Para jantar, lomo saltado para mim, um prato típico de carne preparada com cebola e tomate, servido com arroz e papas fritas (curiosidade: existem mais de 200 tipos de batata e uns 35 tipos de milho no Peru), e para o Leo, meu companheiro de viagem, pollo a la parrilla, que é nada mais nada menos que frango e batata frita e, por isso, não teve direito a foto rs.
Devidamente alimentados, fomos dar uma de turistas e tirar fotos do centro histórico... Só não contávamos com o frio que estava! Uns 9 graus, talvez? Sem agasalhos apropriados, tiramos algumas pouquíssimas fotos e partimos para o hotel! No caminho de volta compramos uns itens para a viagem do dia seguinte (água e um certo pacote beeeem pequeno de lays). Agora estava mais do que na hora de descansar, pois o dia seguinte prometia altas emoções!

Já entrando no clima... Coca Candy no aeroporto! Não se enganem, não dá nenhuma "onda", e tem gosto de anis (eca!)

Nosso transporte pra Cusco - Edição comemorativa de 100 anos (da descoberta) de Machu Picchu (rs)

O famoso chá (ou mate) de coca

Mercado Artesanal

Mosteiro (ou pelo menos achamos que é um mosteiro...)

Restaurante maravilhoso - Meson de Espaderos

Lomo Saltado (huuuuuuum....)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diário de Viagem - Prelúdio



Como alguns sabem e outros não, em dezembro fiz a minha primeira viagem internacional, disfarçada de participação em um congresso para apresentar um artigo fruto da dissertação do mestrado. Fui para o Peru, passando por Lima, Cusco e Águas Calientes/Machu Picchu. Pensei em levar um caderno para anotar tudo lá, mas convenhamos, a tecnologia quase me deu um pontapé só por ter pensado nisso... E, pra falar a verdade, a viagem foi tão intensa que mal tive tempo de colocar as idéias em ordem. Para isso, resolvi montar meu diário-virtual-pré-pós-viagem, relatando as experiências vividas nessa viagem e – por quê não?! – compartilhá-lo aqui - aos poucos, é claro. =) Vai soar como Zimbelices misturado com blog de viagem, mas faz parte... Então vamos ao que interessa!

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Já disse que odeio arrumar mala? Não sei bem se é porque vivi os últimos tempos feito uma nômade, tendo que arrumar mala toda semana (às vezes mais de uma vez em uma semana), mas isso é certo: odeio arrumar mala. Especialmente se você não sabe como estará a temperatura no local para onde vai. Bom, sempre disseram que sou econômica com relação à fazer mala (experiência?! Necessidade?!), mas essa viagem era diferente. Viagem internacional (a primeira), com eventos distintos (turismo e congresso). Comecei a contar a quantidade de peças e rebati com o total de dias da viagem: sim, tem coisa demais. Qual tirar? Oh, céus. Sapatos, quantos levar? Um tênis, uma sandália, uma bota, um chinelo, um sapato social... Ops, a mala está ficando cheia demais. Priorizar, então. Arruma a nécessaire daqui, a farmacinha particular dali, separa o livro, os documentos... Pronto , mala feita. Mas continuo odiando fazer mala... Só não sei se é pior do que desfazê-la. Veremos na volta...


No meio disso tudo, ainda tenho que gerenciar a ansiedade. Será que acordo às 3 da manhã, um pouco antes ou um pouco depois? (desventuras de se pegar um vôo internacional que sai às 6:50h da manhã). Despertador acertado para às 3:30, vem a tarefa mais difícil: dormir com toda a ansiedade de uma viagem tão aguardada e razoavelmente planejada...

Ainda é noite quando toca o despertador. A central de táxi liga, “deseja que o taxista interfone quando chegar?”, “sim, claro”. Nem preciso dizer que o interfone não tocou, e quando 5 minutos depois do combinado, espertamente decido olhar pela janela, o táxi já está parado em frente à portaria. Cato as malas e desço correndo, coração a mil. Chegou a hora. No caminho, a cidade dorme, os boêmios estão se preparando para a saideira, e eu vou seguindo meu caminho, rumo ao aeroporto. 



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

360 Graus

Então assim também sou eu
Olho para um lado, para o outro, ainda tentando acordar do mundo de letras e imaginações
Olho para trás, para frente, e me assusto
Passos rápidos, pessoas passam
E também eu passo
E, como que de pronto, incomodo-me
Sinto vontade de gritar
Não, gritar não
De correr no fluxo contrário
Quebrar a cena cotidiana
Que acharia a manada?
“Louca”; “Será que esqueceu algo?”
Só queria refrear...

Tec-tec-tec-tec
Passos curtos passam ao meu lado
Fico zonza com tanta gente
Parem! Ou sigam!
Apenas deixem-me aqui...
Te-tec, te-tec, te-tec
Os passos se espaçam
Dissipam-se as pessoas
Nem a chuva tem coragem de chegar
Quem dirá eu
Eu, que tanto quis ser outra coisa além disso
Outra coisa que nem sei definir o quê de tão outra coisa que é
Ou será que de tão outra coisa se tornou isso?
Será que de tanto querer o ponto contrário
Acabei aqui?
A vida toma sua melhor forma irônica
Rodando em busca de algo outro
Girei em círculos?
Que forma irônica, esse tal de círculo
Que ironia circular, essa tal de vida


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Balanço (mas não caio!) de 2011 - com certo atraso...

2012 chegou e lá se vai cerca de 1 mês e meio sem passar por aqui... Tanta coisa aconteceu nesse tempo, que por um lado parece muito tempo, mas por outro parece tão pouco... 2011 foi um ano incrível em muitos aspectos, de muitas conquistas, de muitos obstáculos superados, de vitórias, de batalhas, risos e choros, enfim, um ano a ser lembrado com muita atenção e muito carinho. Foi em 2011 que o blog finalmente nasceu, através do qual pude expor um pouco mais das minhas escrivinhações. Teve o mestrado sendo concluído – haja esforço e determinação! Teve o emprego novo (e todas as oportunidades que apareceram até ele chegar). Teve a mudança de cidade – finalmente deixando a vida nômade. Teve a viagem, ah, a viagem... (essa vai ganhar alguns posts por aqui, aguardem!). Tiveram também os amigos e a família que fizeram do meu ano tão incrível quanto eles. Tiveram as músicas e os livros que embalaram meus devaneios e meus sonhos.

Cada ano que se encerra leva consigo um bando de coisas, assim como o ano que chega vem trazendo outro bando de coisas. Essa é a graça e a desgraça da vida. Os ciclos se encerrando para recomeçarem. Tem gente que reclama que parece tudo igual, que o tal do réveillon não traz surpresa nenhuma. De fato, os dias são os mesmos, depende mesmo é de cada um saber como quer encará-los. E aí está a graça toda de (re)começar mais um ano: você pode se transformar no que quiser, com a “desculpa” de que um ano novo chegou e você quer mesmo é vida nova. Bota a culpa no réveillon e tá tudo certo! Eu particularmente gosto de pensar que existe uma renovação neste período. Posso criar minha listinha de metas do ano, colocar lá as coisas que quero realizar até o final do ano que está chegando (ou que já chegou, no caso de 2012 =D) e me esforçar pra que a lista saia do papel (ou da planilha Excel) e se materialize. Talvez seja por isso que 2011 soou tão especial pra mim, depois de conseguir fazer “check” em quase todos os pontos da lista feita no final de 2010...


Feliz 2012 para todos que passam por aqui, sejam os já de casa, sejam os marinheiros de primeira viagem. Este espaço é construído de mim para o universo numa forma de desabafo aberto... Espero que tenham gostado do que viram até agora, porque 2012 promete!