Depois de quase 1 mês, continuemos com os relatos, cada vez mais longos, dessa viagem inesquecível...
Fomos despertados pelo serviço de despertador do hotel (gentilmente solicitado – sem que nós soubéssemos – pela menina da agência de turismo), e alguns segundos depois pelos despertadores dos celulares tocando sem parar. Se não me engano, 5:45 foi o horário. De qualquer forma, precisava ser muito cedo, pois enfrentaríamos uma longa jornada até nosso destino do dia: Machu Picchu! Aprontamo-nos, assim como as mochilas com nossos pertences a serem levados – protetor, água, câmera, batata lays... – e descemos para tomar café da manhã. Depois de um café da manhã farto e muitas fotos da área do café (que tem até um laguinho cheio de peixes), partimos para o microônibus, que nos aguardava na porta do hotel. Primeira sensação ao colocar os pés fora do hotel: que frio! Era por volta de 7h da matina, um sol lindo, mas fazia um friozinho esperto! Características da região...
No caminho para a estação do trem os contrastes sociais, tão típicos da região da América do Sul, começaram a despontar. Cusco fica em um vale cercado de montanhas, e não tardou para aparecerem o que aos nossos olhos remetiam às favelas brasileiras. Casas e população muito humildes. Mas, deixando isso de lado, a ansiedade já ia tomando conta à medida que prosseguíamos rumo à estação de trem, avistando picos nevados no horizonte de um dia lindo de sol forte.
Chegando a estação de trem, ficamos aguardando a chamada. Fazia muito frio ainda, apesar do sol. Ida ao banheiro para garantir – a viagem que enfrentaríamos em breve era longa –, nossos olhos curiosos rondando o ambiente, olhando os outros rostos curiosos, ansiosos pelo destino final. Então, a chamada para embarque. Viajamos pela Peru Rail. Ao que tudo indica, existem outras empresas que fazem o trajeto entre Cusco e Águas Calientes, porém ouvimos que esta empresa com a qual viajamos é uma das melhores em termos de conforto. Tirando o fato de não ter ar condicionado (explicações a seguir), realmente o trem era razoavelmente confortável. Foram cerca de 3:30h de viagem, e a variação de temperatura nesta região é bastante significativa (no verão, noites muito frias e dias bem quentes). Lá pelas 10h já estávamos sentindo um pouco de calor... 11h estávamos suando e rezando para chegar logo. Às vezes batia um ventinho pela janela superior (a única que abria, e ela era pequena), o que amenizava o calor. Não chegou a ser insuportável, mas fiquei imaginando que se esse era o trem mais confortável, como seria o pior deles... Divagações a parte, o trajeto era muito bonito. O percurso do trem é feito na margem de um rio lindo (falha: não sei ao certo o nome do rio... Pelo Google, estou achando que é o Rio Urubamba), as paisagens são bonitas, alterando áreas rurais e picos nevados. Gastamos boa parte da memória da câmera com fotos do trajeto (o que se apresentaria como um erro mais tarde, ainda mais com um companheiro de viagem que não queria deletar nenhuma foto, mesmo tendo feito backup no computador! rs).
Um detalhe que precisa ser contado: Ainda no trem, Leo e eu conversávamos em um dado momento, e de repente ele diz: “Você está ouvindo o que está tocando?”. Parei e comecei a prestar atenção... E qual foi a minha surpresa quando comecei a ouvir “delícia, delícia, assim você me mata...”, a música do Michel Telo que bombou nos últimos tempos. Era início de dezembro, e eu (e acredito que muitas pessoas) não fazia idéia que a música tinha se difundido dessa forma. Nem era um brasileiro ouvindo a tal da música, era um camarada que parecia boliviano (mas quem sou eu pra saber diferenciar as nacionalidades, ainda mais dos países da América do Sul rs) que, inclusive, executava (sem muito sucesso, devo dizer) as coreografias da música. Parênteses, ele estava ouvindo a música pelo alto falante do celular, ou seja, a falta de educação dessa prática (opinião pessoal) não se restringe ao nosso país...
Finalmente, chegamos... A Águas Calientes! É a cidade mais próxima de Machu Picchu, ponto final da linha do trem e pareceu muito aconchegante. Mas depois falarei melhor sobre ela. Chegando à estação, uma nova representante da agência de turismo estava lá para nos recepcionar e nos levar ao ônibus que nos conduziria à Machu Picchu. Tivemos tempo apenas de comprar mais água e uns biscoitos antes de entrarmos na fila do ônibus (nota: não há lugares para comprar este tipo de coisa lá em cima, há apenas um restaurante o qual não sei bem o funcionamento, mas imagino ser necessário reservar com certa antecedência). A subida durou cerca de 20 minutos. A serra tem várias curvas e a estrada é bem estreita, então quando o nosso ônibus que subia cruzava com outro ônibus que descia dava certo frio na barriga, ainda mais quando olhávamos pela janela e víamos a pirambeira por onde o ônibus ia se aventurando sem medo. Quase chegando já dava para avistar um pouco das ruínas, o que só fazia aumentar nossa expectativa!
Descendo do ônibus, fomos recepcionados pela nossa guia. Falha grave: não lembro o nome dela. Mas ela era bastante atenciosa. Conosco seguiram 2 casais, ambos americanos. Um deles na faixa de 50 anos, o outro na faixa de 70 ou 80. Ficamos inicialmente apreensivos, pensamos em “dar um perdido” no grupo e seguir por nossa conta... Mas no final das contas preferimos acompanhá-los e acabou sendo muito mais proveitoso. Bilhetes devidamente entregues, passaporte devidamente carimbado (meu passaporte novinho ansiava pelo carimbo de Machu Picchu!), entramos. O sol de meio dia estava bastante forte, o calor era intenso, mas nada disso deixou que a emoção tomasse conta. Indescritível é a palavra para definir o que foi o momento de passar pela entrada e avistar aquele cenário que estamos acostumados a ver apenas por foto. Estava ali, ao nosso alcance. A guia ia nos explicando o que significava cada ponto, cada área, cada templo, e seguíamos contemplando aquele lugar que, apesar de receber milhares de pessoas por dia se mostra surpreendentemente tranqüilo em vários momentos. Perdi as contas das vezes em que me deparei sozinha, no meio das ruínas, e o silêncio me envolvia, uma sensação grande de paz e tranqüilidade. Alguns pontos (não exaustivos!) interessantes da visita:
- A área onde fica Machu Picchu é toda “setorizada”: uma parte é a área que abrigava a agricultura, outra é a área residencial, outra é área sagrada, dedicada aos templos...
- Picchu, em quéchua, significa Montanha. Machu Picchu significa Montanha Velha, e é o nome dado a uma das montanhas que formam a região onde a cidade Inca está instalada. Existem diversas outras montanhas que formam a região, sendo uma das principais a Wayna ou Huayna Picchu (Montanha Jovem – uma das montanhas que sempre aparece nas tradicionais fotos de Machu Picchu), onde também tem ruínas e um dos templos mais visitados, o templo da Lua. Não chegamos a ir lá por conta do tempo, mas existe uma trilha (bastante difícil pelo o que dizem) que leva ao topo da montanha, e o número de visitantes que sobem esta montanha por dia é controlado. Tem também a Putukusi, Montanha Feliz, montanha da qual tenho um book graças à paixão que ela despertou no Leo... Vai entender!
- Curiosidade: a guia nos contou que ninguém sabe ao certo qual era o nome original da cidade, e muito provavelmente não era Machu Picchu!
- Lhamas: sim, existem! Sim, são fofas e sorridentes! (olhem a foto e digam que não! rs rs) Deparamo-nos com algumas na nossa visita... Uma ficou tão perto que até me assustei, elas são bem grandonas rs.
- Em uma determinada parte está localizado o que entendi como sendo uma espécie de relógio inca, através do qual era possível saber as estações do ano etc. Com a ajuda do Google e lembrando a fala da guia, o nome desta construção é Intihuatana e, de acordo com a nossa guia, ela possui propriedades espirituais, energizantes... Não pode tocá-la, apenas aproximar a mão para tentar sentir as boas energias que emanam da pedra. Depois o Leo comenta o que ele sentiu...
- A guia nos mostrou também um altar que, segundo ela, era composto por três degraus. Confesso que não entendi muito bem o significado dos degraus, mas toda hora em diversas construções ela apontava os tais degraus (que teve gente que jurava que eram mais de três...).
- Machu Picchu completou, em 2011, 100 anos do seu redescobrimento. Em resumo, um pesquisador americano chamado Hiram Bingham, durante uma de suas investigações arqueológicas, “encontrou” a cidade perdida há 100 anos, desencadeando diversas explorações arqueológicas na área que, consequentemente, encontraram lá vários objetos e artefatos incas que acabaram sob custódia dos americanos. O governo do Peru briga até hoje para tentar reaver alguns destes objetos...
- Existe uma única árvore em Machu Picchu, que parece que existe desde o redescobrimento da cidade inca...
- Para finalizar, a engenharia da construção do lugar é de tirar o fôlego! O encaixe das pedras, a acústica, a “climatização” nas construções (mesmo com o calor de quase 40 graus que fazia era possível parar nas sombras das construções de pedra e nem sentir calor...), tudo muito impressionante!
Poderia prosseguir escrevendo parágrafos e mais parágrafos sobre Machu Picchu, mas esse texto, assim como foi com a visita, uma hora tem que chegar ao fim. Um comentário adicional sobre o nosso grupo da visita foi que, especificamente o casal mais velho acabou nos surpreendendo... Em um determinado momento eles quiseram parar e nos aguardar sentados em um ponto das ruínas, nada mais justo para um senhor e uma senhora com mais de 70 anos num sítio arqueológico onde se anda muito, e principalmente, onde se sobe e desce inúmeros degraus. Mas o que nos chamou mais atenção foi o simples fato deles estarem ali. E me fez reforçar ainda mais a idéia de que para viajar basta estar vivo... Não é idade, joelho ferrado, dor nas costas, nem nada do tipo que impede que se viaje, conheça os lugares... E depois eles falaram que viajam sempre, que a última viagem foi para o Panamá.... Muito legal.
Terminada nossa visita, pegamos o ônibus para descer (menos radical, uma vez que ele segue do lado de dentro da pista...) e, 25 minutos depois, estávamos em Águas Calientes novamente. Nosso pacote previa um almoço em um restaurante da cidade, e a nossa guia, que também desceu conosco, nos acompanhou ao restaurante, nos guiando por ruas estreitas cheias de lojinhas, bares, restaurantes, hostels... Esse restaurante onde almoçamos ficava em um hotel muito bacana! Pena que não anotamos o nome, estou até agora tentando descobrir... Enfim, como já era por volta de 15h, o restaurante estava vazio, e nosso almoço foi super privativo. A comida, apesar do horário avançado para almoço, estava muito saborosa e nós estávamos com fome e exaustos. Literalmente nos jogamos no sofá que compunha a mesa. Após o almoço, aproveitamos para andarmos um pouquinho por Águas Calientes e passearmos pelo mercado artesanal de lá. Nem precisa dizer que era outra perdição, cheio de lembrancinhas, enfeites, tapetes, e os mais diversos badulaques que se pode imaginar, mas acho que devido ao cansaço compramos apenas uma lembrança para a mãe do Leo. Seguimos para a estação de trem e, depois de algumas confusões com o horário de embarque (ainda bem que estávamos adiantados...) e de algum tempo de espera, finalmente entramos no trem para retornar a Cusco. Saímos de Águas Calientes por volta de 16:40h, pensando que seria bem legal retornar e ficar hospedado por ali e desfrutar dessa cidade super aconchegante. No trem, seguíamos em direção a Cusco com a tarde caindo no horizonte e a noite chegando. Fazia calor dentro do trem, mas pelo o que tínhamos passado de manhã, já sabia que a chegada em Cusco nos proporcionaria uma recepção bem fria. Estávamos muito cansados, e por isso tiramos umas poucas fotos no trajeto de volta, tentando descansar tanto quanto a poltrona do trem nos permitia...
Chegamos à estação em Cusco por volta de 20h. Sim, o frio estava lá de braços abertos para nos recepcionar... Ainda bem que havia uma nova guia com um carro já nos aguardando para nos levar de volta ao aeroporto. Chegamos ao hotel cansados, porém com fome e vontade de aproveitar a última noite em Cusco. De banho tomado, partimos para a recepção. Enquanto nos arrumávamos, começou a chover, então achamos melhor chamar um táxi para irmos até a Plaza de Armas.
Agora cheguei num ponto curiosíssimo da viagem... Os táxis! A maioria dos táxis no Peru são carros velhos... Não chegam a estar caindo aos pedaços (nem todos, pelo menos rs), mas são visivelmente antigos. Mas o mais curioso é a forma de cobrança da corrida: você negocia o valor com o motorista! É, não existe taxímetro. Nas minhas pesquisas preliminares da viagem, já tinha lido sobre isso, então não chegou a ser um choque... Mas é curioso! E lá as corridas são, no geral, muito baratas. Muito mesmo. Esse percurso entre o hotel e a Plaza de Armas saiu por uns 5 reais (se não me engano, 8 soles).
Bom, voltando... Descemos na Plaza de Armas... E em nada lembrava a noite anterior! Além da chuva, ela estava praticamente deserta. Atribuímos isso ao fato de ser domingo... Bom, a missão era como a da noite anterior: achar um restaurante para jantar. Tentamos um restaurante indicado pela primeira guia, o qual eu também tinha visto nas minhas pesquisas... Quando tentamos entrar, fomos informados que já estavam fechando. Com frio e fome, avistamos o querido restaurante da noite anterior, funcionando a pleno vapor. Sem paciência e prevendo que o acontecido neste restaurante poderia acontecer em outros, rumamos para o Meson de Espaderos novamente. Era uma opção segura e disponível, apesar de não criativa. Enquanto éramos recepcionados pelo garçom, parei e ouvi com atenção a música de fundo... Puxei o braço do Leo e disse: “escuta, está tocando... Raça Negra!”. Quando falei o nome mágico, o garçom vira e pergunta: “Brasileños?!”. Rs rs Nem precisa falar que o jantar foi embalado ao som de Raça Negra e seus “sucessos”.Bom, músicas a parte, o pedido da noite foi uma parrillada e um vinho que demorou a terminar... Achei que seríamos até expulsos do restaurante! Confesso que a parrillada não estava tão saborosa quanto o lomo saltado da noite anterior, mas foi uma boa experiência. Na volta, pegamos outro táxi para o hotel porque a chuva não dava trégua.
Algumas fotos para ilustrar a descrição...
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| Laguinho na área de café da manhã do hotel... |
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| Periferia de Cusco |
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| Avistando os picos nevados a caminho da estação de trem! |
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| Estação do trem - Rumo a Machu Picchu! |
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| No caminho... |
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| No caminho... (2) | | | |
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| Glacê! |
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| No caminho... (3) |
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| Chegada emocionante! |
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| Machu Picchu, baby! |
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| Os famosos 3 degraus... Ou 4, 5, 6... |
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| Setor residencial com a Wayna Picchu ao fundo |
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| Setor residencial. a árvore única e a Putukusi ao fundo |
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| Lhama sorridente!! |
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| Intihuatana |
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| National Geographip Pic: Templo das três janelas e a lhama-modelo |
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| Fofura máxima: Chinchila tirando uma soneca entre as construções incas |
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| Águas Calientes (1) |
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| Águas Calientes (2) - Mercado Artesanal a direita |
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| Parrillada! |